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terça-feira, 4 de setembro de 2012

Praticantes da Desgraça


1. Sofrer da síndrome da mulher de Ló. Defino assim aqueles que presos ao passado, seja pelo ganho seja pela perda, paralisam sua existência. Pessoas que dirigem a vida com os olhos fixos no retrovisor, que vivem sem expectativa em relação ao futuro e com nenhuma alegria ou gratidão no que tange ao presente. O assunto delas gira em torno de acontecimentos bons ou ruis que ficaram no passado; só o corpo encontra-se no presente, pois o pensamento e os sentimentos pertencem à outra época, em algum lugar distante. 


2. Síndrome de urubu. Defino assim pessoas que só cheiram carniça, cujos olhos são treinados para ver o que há de podre. São críticos mordazes, vivem sem encantamento, seu assunto preferido gira em torno do erro, desastre, tragédia, desgraça, do defeito em alguma coisa ou de alguém, do mal feito. Para tais pessoas o mundo realmente jaz no maligno. 



Sei que estou sendo injusto com os urubus pois, enquanto estes limpam o planeta das carniças, os que possuem síndrome de urubu ampliam e espalham as mesmas. 



3. Vampirismo. Pessoas vampiras sugam a energia das outras. Isso acontece quando alguém possui amor utilitário, ciúme, inveja, sentimento de posse, e vive faminto de alimento para suas carências. Necessitam serem supridas constantemente pela atenção do outro, pela valorização do outro, pelo tempo do outro.  Conviver com pessoas vampiras gera enfermidade, fraqueza e até depressão. Quanto mais sensível ou sensitivo é alguém, e menos consciente do processo, mais sentirá os efeitos do vampirismo, desde um leve sentimento de tristeza até incômodas dores físicas. 



É fácil perceber o vampirismo em ação. Num momento algumas pessoas estão alegremente conversando, a energia positiva está fluindo livremente, até que alguém conta sua historia triste, o clima muda, há uma sensação de abatimento pois a energia dos felizes passa a ser sugada pelo infeliz. 



O vampiro é vazio de vida em si mesmo, por isso necessita nutrir-se do sangue do outro. O problema é que quanto mais pessoas dispostas a alimentá-lo existem, mais cresce sua fome. Alimentar um vampiro é alimentar um monstro por mais que ele tente nos sensibilizar, consciente ou inconscientemente de sua manipulação. 



4. Masoquismo. Identifico como masoquismo o prazer mórbido em relatar - recorrentemente - sofrimentos, carências, infortúnios, perdas, enfermidades. São masoquistas pois a cada relato ampliam o sofrimento; entretanto, sentem prazer na reclamação, em contar suas inúmeras dificuldades ou uma dificuldade inúmeras vezes. 



5. Sadismo. Chamo de comportamento sádico, o das pessoas que parecem alegrar-se em infligir sofrimento a outras, com suas histórias tristes. De certa forma, os aficionados amantes do jogo da desgraça podem ser vistos como sadomasoquistas; há neles um prazer mórbido em sentir e provocar dor. 



6. Injustiçados crônicos.  São os que entendem que os seus infortúnios são sempre culpa de alguém. Jamais assumem responsabilidade pelos acontecimentos limitantes relacionados a eles. São mestres em escapismo e em transferir responsabilidades. Usam de suas limitações e sofrimentos como eternas desculpas, acovardando-se diante da vida. São eternas vítimas, injustiçados crônicos, para eles lamentar é preciso. 


Fonte: 
- Texto "O jogo que desgraça" escrito por Oliveira Fidelis Filho, Teólogia espiritualista, Psicanalista integrativo, Administrador, Escritor e Conferencista, Compositor e Cantor.  http://somostodosum.ig.com.br/clube/artigos.asp?id=22323 acesso em 04/09/2012.



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